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Todos os dias das mulheres

terça-feira, março 8th, 2011

No ano passado eu fiz um post parecido. Esse ano, a correria por aqui me impede de escrever algo a mais, mas não posso deixar passar o Dia da Mulher – que este ano, por cair na terça-feira de Carnaval, deve ser quase totalmente esquecido. Como já disse antes, os homens (somente os babacas) diriam “Por que não existe um dia dos homens?” e eu explico na matéria que escrevi no ano passado. Porque o dia existe para lembrar que a luta não acabou. Porque ainda hoje as mulheres ganham menos do que os homens (cerca de 28,42%), porque 83,3% das mulheres fazem jornada dupla de trabalho (contra 43,6% dos homens) e embora as pesquisas mostrem maior escolaridade, as mulheres ainda ocupam bem menos postos de chefia.

Isso sem mencionar o que ainda acontece com as mulheres pelo mundo. O preconceito, as agressões, as mutilações, as pressões. Vocês sabiam que o drama da mutilação genital feminina já não é mais “exclusividade” da África? A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que o tipo de mutilação genital da mulher mais comum é a cisão do clitóris e dos lábios menores – 80% dos casos -, enquanto 15% dos casos correspondem à infibulação, consistente na extirpação de clitóris, lábios menores e parte dos lábios maiores, seguida pelo fechamento vaginal mediante sutura. Trecho retirado de matéria original do UOL.

Chocante? Acontece HOJE. E algumas pessoas ainda perguntam o motivo de existir um Dia da Mulher? Se algumas barbaridades não existissem, o dia também não precisaria existir. Mas, infelizmente, muita coisa ainda precisa ser mudada. A começar por você ou seu amigo que acredita que sua mãe não “faz nada” quando cuida da casa ou que sua namorada nunca “está tão cansada quanto você”, sendo que ela também trabalha, meu caro. Ainda há muito para ser feito, mas podemos começar agora :-)

A nós, mulheres, um feliz dia todos os dias. A vocês homens, não se esqueçam dessa luta.

Alegrias,

Fernanda.

Todos os dias das mulheres

terça-feira, março 9th, 2010

Não adianta dizer que o Dia da Mulher foi ontem somente. É todo dia. Comemorar as conquistas e lembrar do que ainda precisa ser feito é algo para nunca esquecermos. Os homens (somente os babacas) diriam “Por que não existe um dia dos homens?” e eu explico na matéria. Porque o dia existe para lembrar que a luta não acabou. Porque ainda hoje as mulheres ganham menos do que os homens (cerca de 28,42%), porque 83,3% das mulheres fazem jornada dupla de trabalho (contra 43,6% dos homens) e emboras pesquisas mostrem maior escolaridade, as mulheres ainda ocupam bem menos postos de chefia. A nós, mulheres, um feliz dia todos os dias. A vocês homens, não se esqueçam dessa luta.

Abaixo, a matéria que saiu no jornal de sábado. Há pesquisas, entrevista com uma advogada sobre as principais leis para as mulheres e entrevista com uma psicóloga sobre a árdua tarefa de ser mil em uma: mulher, esposa, mãe, profissional, dona de casa e outras tantas. Espero que gostem.

Alegrias,

Fernanda.

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Luta pelos direitos da mulher continua

Mulheres ganham cerca de 28,42% a menos do que os homens

Fernanda França

Em 1945, um documento das Nações Unidas reconhecia a igualdade de direito entre homens e mulheres. Em 1951, foi aprovada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual. A realidade é diferente ainda hoje, em 2010, com salários inferiores para mulheres em relação à remuneração dos homens na mesma função e número maior de mulheres com dupla jornada de trabalho.

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Ah, você é tão (quase) perfeita!

quarta-feira, novembro 25th, 2009

ELE – Você é a mulher mais fantástica que eu já conheci. É linda, inteligente, simpática, bem-humorada, bem resolvida profissionalmente, tem os olhos mais lindos que eu já vi, o rosto mais bonito, eu adoro a sua companhia e eu casaria amanhã com você.

Pausa.

ELE – Eu casaria amanhã com você se você começasse uma academia. Já pensou em começar uma academia?

ELA – Hahahaha!!!

O caso é real. O cara é real. A moça é real. Demos risada, claro. Mas, na boa, onde é que esses homens querem chegar? Parece engraçado, mas caímos na mesma questão do post anterior (que em um dia no ar não atraiu nenhum comentário apesar de centenas de acessos – acho que as pessoas não curtem assunto sério, mas fiquem frios que vou maneirar hehe), já que, mais uma vez, nós mulheres somos enquadradas em um padrão “tem que ser assim” ou “assado”. Claro que ninguém é obrigado a gostar de ninguém, vai a luta, meu filho, mas se ela é tão maravilhosa assim e ele “casa, mas só se ela for para uma academia”, na verdade é ele quem deve fazer uma visitinha – ao psicólogo!

Alegrias,

Fernanda.

E aí, mulheres?

quarta-feira, novembro 25th, 2009

Assisti ao documentário “Indústria do Orgasmo” na GNT e quis anotar os pontos para passar para vocês, mas no fim das contas não deu tempo. Em resumo: tratava de medicamentos para mulheres e homens e falava de tratamentos com remédios e de problemas que nem seriam problemas (afinal, não existe um certo ou errado no sexo) e de mulheres que buscam vaginoplastia, uma cirurgia plástica na vagina.

Eu quero discutir algumas questões com vocês.

- Todos os problemas da sexualidade feminina se tratam com remédio? As indústrias farmacêuticas têm interesse em divulgar seus feitos, mas e a parcela do relacionamento, onde fica?

- Existe um normal para relacionamento sexual? Tantas vezes por dia, tantas vezes por semana, tantas vezes por mês? Por favor! Existe o que satisfaz você e seu parceiro. Existe isso, ser feliz.

- Há “tratamentos” como a implantação de um aparelho na coluna da mulher, operado com controle remoto, para ela sentir orgasmo quando desejar – e a balança do documentário aponta que os perigos podem ser desde dores até a mulher não andar mais, enquanto os benefícios são desconhecidos. Será que não estamos indo além do limite?

- Muitos problemas devem ser tratados, sim. Existem mulheres e homens que precisam de atenção médica, sim. E essas pessoas devem buscar auxílio, sim. Mas não é delas que estamos falando aqui.

- No documentário, uma afirmação me deixou pensativa. “Qualquer cirurgia desnecessária na região genital é uma mutilação”. Tantos povos ainda lutam para combater a mutilação feminina e a mulher, por livre e espontânea vontade, quer mudar porque… é “feia”, é “grande”, é “pequena”. Digam: quem disse isso? As revistas, a moda, a mídia disseram que a mulher tem que seguir um padrão de beleza em todos os sentidos? E você acreditou que para ser feliz é assim que funciona? Não é, não. Ou daqui a pouco seremos todas robôs – e robôs clones.

Eu acabei de assistir ao documentário e por isso estou tão pensativa. Acho que para sermos felizes precisamos fechar os olhos e tapar os ouvidos para um tanto de besteiras que vemos por aí. Não existe felicidade padronizada e beleza não é igual para todas. O conceito de ser bonita vai muito além do que você vê em revistas. E ser uma mulher “saudável” depende do seu conceito. E de mais ninguém. Você é feliz? Só isso importa. Vai por mim. Só isso.

Alegrias,

Fernanda.

No telefone

terça-feira, outubro 27th, 2009

Quando Cláudio atendeu o telefone, a postura mudou, a voz engrossou e ele mandou ver nos comentários machistas. Do outro lado da linha, Jonas estava acompanhado pelo trio Alberto, Moisés e Felipe. Em uma mesa de bar, tomando cerveja e dando risada.

- Falaê, Claudião, e a vida? Quê? Ah, é? Hahaha! Cara, você é um barato. Gente, o Claudião tá contando que pegou umas minas lindas. Sabem a Veruska, aquela da bundinha empinada que estudou com o primo dele? Fala, Claudião, pode falar. Quê? Ah, cê tá contando porque a mulher não tá por perto, é safado? Tá na piscina? E você aí tomando solzinho em vez de tomar cerveja com a gente, viado? Tá, tá bom, já saquei. Sei como é a vida de homem casado. Quer dizer, saber eu não sei, mas eu imagino como é a prisão.

Todos na mesa riram. Cláudio riu também, claro. Antes de desligar, ainda fez piada com mais duas ou três garotas e a mesa do bar ficou entusiasmada com a virilidade do amigo que tinha tantas mulheres. Apertou o botão, desligou o aparelho, relaxou e soltou um som de alívio. Estava livre mais uma vez.

O problema de Cláudio não era que ele não conseguia parar de sair com as outras, mas confessar para os amigos que tudo não passava de mentira. Porque o problema mesmo era admitir que ele era casado e fiel e que não tinha a menor vontade de sair com as outras. Mas com que cara ele diria aquilo? Nem morto, pensou. E então foi pra piscina.